
O IBGE divulgou essa semana que nosso país atingiu o menor índice de desemprego desde 2002, quando o instituto começou a realizar pesquisar sobre mercado de trabalho.
Embora a mídia tenha divulgado a notícia sob comemorações, é preciso ter muita cautela, pois ainda estamos muito longe do que precisamos e queremos ser. Uma análise mais profunda, direto da fonte (site do IBGE) mostra o quanto ainda temos que evoluir.
Somos atualmente mais de 190 milhões de brasileiros. É claro que não é toda população que é economicamente ativa. Mas segundo o isntituto, somos apenas 10,3 milhões de brasileiros com carteira assinada. É muito pouco!!!
Se o órgão afirma que somos 22 milhões de pessoas ocupadas, conclui-se que metade dos empregos ainda é na informalidade. Isso porque estão fora desta conta quem está no serviço público, militar, que trabalha por conta própria e que é profissional liberal.
Cobrar emprego de quem mais lucra nessa país
Superar o desemprego, aumentar a renda, dar melhor qualidade de vida para a população é um desafio imenso. Uma missão que precisa ser encarada com maturidade, coragem e ousadia. É preciso cobrar dos setores que mais lucram no país responsabilidade social, não em termos de filantropia, mas com geração de emprego e distribuição de renda.
Para exemplificar, recentemente acabou a greve bancária. Ela durou semanas e sinceramente: quem percebeu que teve greve? Principalmente para as pessoas da minha geração, agência bancária quase não é mais necessária. Faz-se tudo pela internet, caixas eletrônicos e centrais de atendimento. Ir ao banco só quando precisamos chorar algo com o gerente.
Sabendo disso, as greves são cada vez menos vistas pelo bancos, com menos atenção da FEBRABRAN, da mídia, do governo... E é aí que mora o problema. No Brasil, as instituições bancárias não têm risco de quebrar. Com juros altíssimos e lucros bilionários, os bancos deveriam ser grandes aliados no combate ao desemprego.
O governo deveria pressionar para que eles mantivessem um quadro de funcionários razoável. Acabariam aquelas incomodas filas, e, por tabela, haveria aumento no emprego formal e a renda populacional.
Outro setor que cada vez mais reduz seu quadro funcional é o de transporte coletivo rodoviário. Aos poucos as empresas de ônibus, principalmente aqui no Rio de Janeiro, vão substituindo os ônibus grandes por microonibus.
Esses veículos menores, trazem motoristas que fazem também as vezes dos cobradores. Um enorme risco ao trânsito, uma vez que esses motoristas trafegam dando troco, recolhendo passagem, perdendo assim sua concentração no seu foco principal: dirigir. Além de comprometer nossa segurança, piorar o trânsito aumentando a lentidão e os engarrafamentos, cada microonibus reduz 3 empregos formais.
O resumo disso tudo é que devemos comemorar, estamos evoluindo, com a menor taxa de desocupação desde 2002, mas, precisamos ser sempre críticos, notar que o país ainda precisa se preocupar muito em trazer dignidade e melhoria ao povo brasileiro.



