sábado, 23 de outubro de 2010

Desemprego Reduz mas até onde devemos comemorar?

O IBGE divulgou essa semana que nosso país atingiu o menor índice de desemprego desde 2002, quando o instituto começou a realizar pesquisar sobre mercado de trabalho.

Embora a mídia tenha divulgado a notícia sob comemorações, é preciso ter muita cautela, pois ainda estamos muito longe do que precisamos e queremos ser. Uma análise mais profunda, direto da fonte (site do IBGE) mostra o quanto ainda temos que evoluir.

Somos atualmente mais de 190 milhões de brasileiros. É claro que não é toda população que é economicamente ativa. Mas segundo o isntituto, somos apenas 10,3 milhões de brasileiros com carteira assinada. É muito pouco!!!

Se o órgão afirma que somos 22 milhões de pessoas ocupadas, conclui-se que metade dos empregos ainda é na informalidade. Isso porque estão fora desta conta quem está no serviço público, militar, que trabalha por conta própria e que é profissional liberal.

Cobrar emprego de quem mais lucra nessa país

Superar o desemprego, aumentar a renda, dar melhor qualidade de vida para a população é um desafio imenso. Uma missão que precisa ser encarada com maturidade, coragem e ousadia. É preciso cobrar dos setores que mais lucram no país responsabilidade social, não em termos de filantropia, mas com geração de emprego e distribuição de renda.

Para exemplificar, recentemente acabou a greve bancária. Ela durou semanas e sinceramente: quem percebeu que teve greve? Principalmente para as pessoas da minha geração, agência bancária quase não é mais necessária. Faz-se tudo pela internet, caixas eletrônicos e centrais de atendimento. Ir ao banco só quando precisamos chorar algo com o gerente.

Sabendo disso, as greves são cada vez menos vistas pelo bancos, com menos atenção da FEBRABRAN, da mídia, do governo... E é aí que mora o problema. No Brasil, as instituições bancárias não têm risco de quebrar. Com juros altíssimos e lucros bilionários, os bancos deveriam ser grandes aliados no combate ao desemprego.

O governo deveria pressionar para que eles mantivessem um quadro de funcionários razoável. Acabariam aquelas incomodas filas, e, por tabela, haveria aumento no emprego formal e a renda populacional.

Outro setor que cada vez mais reduz seu quadro funcional é o de transporte coletivo rodoviário. Aos poucos as empresas de ônibus, principalmente aqui no Rio de Janeiro, vão substituindo os ônibus grandes por microonibus.

Esses veículos menores, trazem motoristas que fazem também as vezes dos cobradores. Um enorme risco ao trânsito, uma vez que esses motoristas trafegam dando troco, recolhendo passagem, perdendo assim sua concentração no seu foco principal: dirigir. Além de comprometer nossa segurança, piorar o trânsito aumentando a lentidão e os engarrafamentos, cada microonibus reduz 3 empregos formais.

O resumo disso tudo é que devemos comemorar, estamos evoluindo, com a menor taxa de desocupação desde 2002, mas, precisamos ser sempre críticos, notar que o país ainda precisa se preocupar muito em trazer dignidade e melhoria ao povo brasileiro.

sábado, 16 de outubro de 2010

Marilena Chaui, mestre e doutura, fala sobre as eleições

Queria fugir do tema, porque já explorei bastante aqui e preciso falar de outros assuntos também. Mas é inevitável compartilhar com vocês sobre os vídeos abaixo. São curtos e carregam rapidamente.

É bom para a democracia quando vozes que são referencias mundiais vêm a público com declarações de posicionamento sinceras e, principalmente: embasadas.

Nos pequenos vídeos abaixo, a filósofa brasileira de maior reconhecimento internacional explica de forma direta e objetiva em quem e porque do seu posicionamento político.

Marilena Chaui é reconhecida mundialmente no meio acadêmico, autora de grandes livros, ela é professora de algumas disciplinas de Filosofia na USP, mestre e doutora. Com prêmios acumulados pelo reconhecimento de sua importância para a formação do saber, tem o título de Honoris Causa em Paris pela sua obra.

Conheça a seguir o que alguém, que tem autoridade para falar sobre educação, filosofia e política pensa sobre essas eleições.






Sobre a Marilena Chaui:

E ai, em quem você vai votar e porque? Eu voto Dilma, por tudo que a Marilena Confirmou!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A realidade de Tropa

Tenho ido com menos frequência ao cinema. Assim que vim morar pertinho de um shopping que tem a rede Cinemark, ia constantemente... Mas nesse final de semana, fui, a pedido dos pais, ver a estréia de Tropa de Elite 2. Não sou chegado a ir em final de semana de estréia, não simpatizo com cinemas lotados. Brasileiro fala muito, bate palma, grita, fica reclamando do filme, etc...etc... Na contra-mão de minha opinião pessoal, valeu muito a pena ter ido ver Tropa logo no lançamento.

Sabia que as vendas estavam elevadíssimas, entrei na internet para conferir se ainda tinha ingresso e veio a primeira surpresa: Quase todas as 8 salas do Cinemark Carioca estavam exibindo o filme em algum horário.

Como sempre, demorei para sair de casa e isso nos custou 3 poltronas. A sala de exibição estava tão lotada que já tinham pessoas na escada! Sei que uns pensariam: "Que merda, sentar na escada!" Mas eu ADOREI! Nossa! Produção nacional, 8 salas exibindo, e eu ainda sentado na escada? Sucesso total!!! Segundo dados do site FilmeB, Tropa já fez nos 3 primeiros dias de exibição mais de 1 milhão e 250 mil espectadores. Mais de 50% das salas estão com o filme em cartaz...

Ok! Uma pena que nossos best sellers ainda sejam filmes que diminuem nossa auto-estima, mostram nossa realidade triste de se ver. Tirando o mega-sucesso Se eu Fosse Você, nosso cinema ainda se resume a retratar a própria miséria do povo brasileiro - e, diga-se de passagem, fazendo isso muito bem. Ainda estamos muito longe do glamour hollywoodiano, mas é nessa fotografia da realidade que o José Padilha, diretor de Tropa, Conseguiu se superar na continuação da película.

Do morro ao planalto

Se o primeiro filme já trazia uma realidade cruel, a sequência é um choque. Nosso super-herói Nascimento - com Wagner novamente perfeito - ao longo do novo filme descobre e joga sobre nós espectadores, toda a sujeira que existe em nosso país. Passamos a sentir a mesma perplexidade que o agora Subsecretário a cada momento que ele descobre que está envolto de lama. Uma pena não ter sido lançado antes da eleição. Se fosse, um bocado de votos teriam sido redirecionados.

O filme retrata, expõe e condena quem realmente financia o tráfico e todas as mazelas da nossa sociedade: As forças políticas. Uma crítica muito bem construída onde as milícias, políticos e bandidos formam um completo sistema que elimina quem é contrário e impera em nossa nação.

Confesso que é até difícil escrever sobre as sensações que o filme traz. E também não me proponho a escrever uma resenha. Vale mais a pena assistir ao filme como fui, sem saber o que esperar e achando que é apenas mais do mesmo... Aqui no blog, o mais importante é a sensação que o filme causa. Esse choque de realidade que constrange, aflige e que, sinceramente, está muito longe de mudar.

No último dia 31 demos 8 milhões dos nossos votos a políticos com ficha suja, e olha que até os de ficha limpa sabemos que nos engana, que dirá os que conseguem a proeza de sujar-se descaramente? O filme mostra o perigo de não tentarmos fazer a melhor escolha. É muito difícil limpar o país dessa sujeira, mas não tentar é ainda pior.

Enfim, para ficar pensativo assim, confuso sobre o que falar, sobre o que pensar, é só dar um pulinho no cinema mais perto de você e ver Tropa de Elite 2. Mais uma vez, o brilhante José Padilha conseguiu por a realidade diante dos nossos olhos a ponto de sairmos do cinema sob aplausos para o filme e vaias para o Brasil.

Já viu o filme? O que sentiu? O que pensou sobre o nosso país? Comenta aí e construa um pensamento coletivo a partir do texto!

domingo, 26 de setembro de 2010

Planejamento e Execução

Durante toda a nossa vida estamos sempre sonhando e idealizando o que queremos ser, o que esperamos dos nossos caminhos.

Estamos pra lá do meio do ano, então já é possível até ter uma noção se a sua lista de sonhos feita na virada do ano vai ou não ter êxito. Eu não faço, mas costumo relacionar os meus objetivos para poder ir trabalhando mentalmente o que precisarei fazer para atingí-los.

Isso que acabamos fazendo naturalmente, dentro das ferramentas de gestão seria a primeira parte do ciclo PDCA. A sigla, em inglês, Plan, Do, Check and Action deduz que temos 4 passos para garantir o sucesso e alcançar os objetivos. É preciso Planejar, Executar, Checar e Corrigir.
Principalmente na vida, nossa principal falha está na execução. Geralmente não chegamos nem a checar e corrigir nossos rumos, ficamos perdidos mesmo em executar o que precisaríamos para atingir a tal felicidade.

Quantas vezes nos planejamos para equilibrar nosso orçamento, fazer aquela viagem, comprar o carro que queremos, liquidar aquela dívida antiga que não acaba e no final acabamos vendo que os objetivos planejados não estão sendo atingidos?

Isso simplesmente pelo fato de não executarmos com a exatidão necessária aquilo para o qual nos programamos. São coisas simples que nos impedem de seguir a diante com nossos planos. Se sabemos que vai ter prova na facul, e sabemos que teríamos aquele dia para estudar, deixar de fazer isso pode significar perder mais um período e emperrar aquela promoção que estava parada esperando o diploma. Deixar de sair para a balada algumas vezes, pode ser o necessário para não ter mais aquela dívida que se arrasta a tempos...

Precisamos executar mais, planejar na medida, para não ficarmos na ânsia de abraçarmos o mundo e não conseguirmos abraçar nem o nosso próprio destino. Se não executarmos, nossa vida acaba sendo um rascunho do que planejamento que seria.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

À pouco de decidirmos nosso Futuro

A partir de hoje chegamos na reta final. Faltam apenas 15 dias para as eleições. Dia 3 de outubro está bem aí, e independente da sua orientação política (ou ausência dela) está nas mãos de cada um de nós o futuro do nosso país.

Não acredito em retrocesso. O país está caminhando para frente, num ritmo fraco, mas com instituições mais maduras e sociedade mais organizada. As empresas hoje possuem um nível de profissionalismo que dificilmente um governo, com os candidatos que lideram a pesquisa, conseguirá prejudicar.

O que está em jogo mesmo é a velocidade que queremos para o nosso progresso. O país, mesmo crescendo, sofre com problemas crônicos, que precisam ser olhados com atenção, caso queiramos realmente ter sucesso e ver nosso povo melhor e mais forte.

Acho que a saúde, educação, segurança e infraestrutura são nossas maiores fragilidades.

Faltam médicos, equipamentos, os hospitais estão completamente abandonados. Alguns até fedem! É triste ir visitar um parente que esteja num hospital público. Pior, praticamente não existe políticas de saúde preventiva.

Na educação, o abandono das escolas, e principalmente os salários incrivelmente baixos dos professores impossibilitam um crescimento cultural de nossa população. Aqui no Rio, meu amigo é professor do Estado. Salário: R$ 623,00. Ou seja, se ele trabalhasse em telemarketing, ganharia o mesmo ou mais!!!

Há um tempo li sobre a revolução pela educação que a Coréia do Sul realizou. Não tenho dúvidas: Este é o único caminho. Mesmo quando o governo se esforça para melhorar a situação da nossa sociedade, temos cidadãos capazes de jogar papel no chão, entupir os bueiros, jogar lixo e até móveis e objetos em rios, além de ocupar encostas... No final, nós mesmos contribuímos para enchentes que resultam em centenas de mortes.

A longo prazo, a saúde e a educação nos garantirão mais segurança. E nesse ínterim, a falta de segurança deve ser encarada de maneira séria e responsável. Há no Rio um bom e mau exemplo. As UPPs são o bom. O morros que antes eram um risco para a sociedade são ocupados e retomam a paz dos moradores. Esse é o caminho. O morro é composto de 99% de cidadãos honestos, pessoas de boa índole que merecem ter paz. Entretanto, não vejo atuação em outras áreas da minha cidade onde a violência é extrema, como na favela da maré, que se compõe de morro. E o restante da polícia? Corrupta, assustadora e violenta.

Em infraestrutura estamos aquém até mesmo de países sulamericanos. Salvador tem um trânsito caótico e nenhum metro. No Rio, temos duas linhas de metro que na verdade é apenas uma, já que o seu traçado é uma grande lagarta. É lotação certa. E ainda vão aumentar mais a lagarta. É uma pena quando vemos que cidades como Buenos Aires tem um projeto de metro, embora velho, muito mais organizado e funcional que o nosso.

Fora o fato de estarmos sempre nas mãos das empresas rodoviárias. Efetivamente não temos um metro de qualidade, principalmente no Rio, simplesmente pelo lobby que as empresas de ônibus fazem ao despejar "ônibus de dinheiro" nas campanhas e nos bolsos dos candidatos.

Será difícil termos uma acessibilidade como na Europa, onde se anda por tudo, de metro.

O assunto é longo, para alguns muito chato, mas é ele que decide o nosso futuro. Falta pouco para uma grande eleição. Serão 6 votos que teremos que dar. São os nosso votos. Devemos fazer um esforço para que eles sejam conferidos com o mínimo de consciência.

Temos que eleger um presidente, um governador, 2 senadores, um deputado federal e um deputado estadual ou distrital (no caso de Brasília). É muita gente. Muita chance para o erro.

Geralmente temos uma clara noção de quem vamos votar para presidente e governador. É aí que mora o perigo. Muito dos nossos problemas vêm dessas outras figuras que votamos meio sem saber porque. Vêm dos Tiriricas e Euricos Mirandas que elegeremos sem nem saber o porquê. Ou só pela onda. Não proteste com seu voto. Tente usá-lo de forma consciente, e se não acertar nessa eleição, continue tentando. Só assim podemos ter uma nação mais forte.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Um mundo de fome e Riqueza

O noticiário dessa semana mostra o quanto ainda somos um mundo de contrastes. E neste caso, referindo-se a um sentido totalmente negativo.

Apesar de termos reduzido a miséria humana, ainda somos um mundo onde 16% da população não tem o que comer. Segundo a Onu, temos 925 milhões de pessoas subnutridas no mundo. O site desnutrição.org explica que desnutrição está ligada a condições mínimas de existência humana. Ou seja, 16% da nossa população mundial é composta por pessoas que passam fome, ou comem num ritmo e com uma dieta alimentar, que fatalmente os levarão a mote.

Vergonhoso para um mundo que acabou de sair de um crise mundial com mais milionários que antes dela. Nas mãos, ou melhor, nos cofres de apenas 10 pessoas, há uma mega fortuna de 342 BILHÕES DE DÓLARES, enquanto no prato de 925 MILHÕES de pessoas, não há o que comer.

Queria escrever um post menos alarmista sobre isso, mas o contraste chega a ser um abuso sem fim. Não dá para entender que 10 pessoas no mundo tenham o suficiente para manter mais de 1000 gerações deles enquanto 16% das pessoas estão propensas a morrer de fome ou em conseqüência dela.

E para aumentar o contraste, quem lidera o ranking de miseráveis nem são os africanos, mas a nova toda poderosa China. A mesma China que, neste ano, ultrapassou o Japão e tornou-se a segunda maior riqueza do planeta, é o pais que mais tem miseráveis.

A boa notícia para o nosso país, é que pelo segundo ano consecutivo somos o país que liderou mundialmente o combate a fome. É importante saber que mesmo a China seja a campeã em miséria, somos nós, os BIRCs (composto pelos países em desenvolvimento Brasil, Índia, Rússia e China) que estamos liderando o combatendo a fome.

Interessante perceber o mundo que vivemos... Acabamos de passar por uma crise sem precedentes, onde foi exigida ajuda total de todos os governos e saímos dela com a concentração de riqueza no planeta maior que antes?

Assim fica claro que os poderosos é que tinham medo da crise. Eles pressionaram os governos e de tal modo conduziram todo o processo a ponto de fugirem da marolinha mais fortes e endinheirados. Tudo bancado pelo financiamento público, claro!

Enfim, tinha um monte de outros assuntos para pautar, mas quem tem fome tem pressa! Por isso, pensem bem nessas eleições e cuidado para não estarem olhando apenas para seus próprios umbigos enquanto tem milhões de pessoas morrendo por aí!

ps.: Foto by google images.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Classe Média Legitmamente Brasileira

A pauta do post de hoje veio da sempre competente Ana Paula Padrão. A jornalista que, corajosamente, trocou ser substituta da Fátima Bernardes por buscar seu destino em outros canais, esteve no ar com uma série de reportagens no Jornal da Record sobre o A Nova Classe Média.

A nova classe média é fruto do leve desenvolvimento que estamos vendo nesse país. Aos poucos (numa velocidade que poderia ser maior) uma camada da sociedade que antes não tinha acesso a crédito e a educação de qualidade razoável, teve seu poder de consumo expandido e se tornou a grande fomentadora do desenvolvimento sustentável da nossa economia.

Como bem disse na entrevista o economista Marcelo Neri, da FVG, o sonho de consumo hoje é o sonho de um trabalho realizado. Não são apenas desejos de alguém que já está acostumado a consumir, mas sim, de alguém que hoje precisa se reincluir na sociedade capitalista.

Aqueles que estavam à margem, hoje possuem uma voz particular que precisa ser ouvida com atenção. Com a fala direta, para que esse novo mercado seja atingido.

Entretanto, o acesso aos bens e serviços tem se dado, prioritariamente pelo aumento do crédito. Hoje em dia está cada vez mais acessível o financiamento de uma casa, carro ou de estudos universitários.

Para manter essa classe média ativa, se expandindo e aumentando sua renda, é preciso um investimento forte em educação. As pessoas que antes não tinham trabalho formal, hoje anseiam por qualificação.

Enfim, embora não tenha nada contra herdeiros, é interessante ver que o país está evoluindo com o empenho e superação dos seus. Que como brasileiros, não desistem nunca!








Atualizando o texto:

Veja direto do YT as 4 últimas matérias da série: