domingo, 27 de setembro de 2009

Polícia Militar Carioca Abate Assaltante e Sociedade e Imprensa aplaudem

Ainda somos todos reféns. Nossa sociedade ainda tem traumas obtidos no ônibus 174, na morte da menina Eloá e tantos outros casos ocorridos em nosso país, onde a vida de vítimas são perdidas devido uma ação imprecisa da nossa polícia.

Imprensa Carioca manifesta apoio à polícia

Talvez esse seja o motivo para explicar os aplausos para a execução de um bandido que com uma granada em riste aterrorizava uma cidadã carioca, no bairro da Tijuca. Ele, que sequer foi ainda identificado marca mais um episódio de mobilização nacional.

Dessa vez, ao contrário dos eventos de grande proporções anteriores, quando perdemos inocentes para a violência urbana, o Estado encheu-se da coragem que faltou no passado e executou o delinqüente ao vivo, em rede nacional. Esse havia sido justamente o principal motivo para que antes a vida do marginal fosse polpada. O medo de se expor perante a nação, de ter sua ação repudiada ou questionada pela mídia e a sociedade fez com que vidas fossem encurtadas.

Mas para a alegria da nossa guerra civil, toda a imprensa colocou-se a favor e a sociedade traumatizada aplaudiu (veja o vídeo, abaixo, principalmente a partir do quinto minuto e meio). Os aplausos, as congratulações, devem ser considerados aqui como um desabafo. Como um grito de socorro de uma população que já não agüenta mais ser executada diariamente, seja por balas-perdidas, seja pela violência. Deve ser considerado um aplauso de uma mãe que não agüenta mais ficar com o coração partido sem saber se o filho que saiu voltará. Da mãe de um policial que passa a farda sem saber se essa pode ser a última vestimenta do seu filho.

Embora seja compreensível o aplauso, não podemos nos deixar levar pelo simples e não pensar na complexidade do episódio. Não sei como era a vida do bandido morto. Mas quem viu o documentário ônibus 174, sabe que somos todos vítimas e culpados nesse país onde prevalece a desigualdade.

Nossa indiferença a falta de educação, emprego, saúde, excesso de corrupção e falta de distribuição de renda continuará produzindo outros Sandros, Lindebergs, e muitos outros desses assaltantes tijucanos. E se pensarmos que a solução será sempre olho-por-olho, dente-por-dente, seremos obrigados a assistir diariamente uma execução na TV.

Reportagem da TV Globo sobre o assalto e execução - You Tube

Por isso, devemos sim exigir que vidas de inocentes - que não tem relação direta com os problemas do meliante - sejam poupadas. Não devemos condenar a polícia quando essa precisar usar de uma força extraordinária. Mas é assim que deve ser. Extraordinário, não rotina. Nossos aplausos, devem ser preservados, e usados em regalia quando uma escola for inaugurada, quando um professor comprar sua casa, seu carro, quando um hospital for reequipado ou, num plano maior, quando todos os brasileiros tiverem o que comer diariamente. Nesse dia, poderemos ser 180 milhões de brasileiros a aplaudir. Fora isso, é lamentar que tenha que ser assim, como foi na Tijuca.

O que você pensa sobre tudo isso… Deixe sua opinião!

6 comentários:

Diego Janjão disse...

Eu vi a imagem na TV, e creo que aquela imagem, na hra da execução, não deveria aparecer na mídia, mesmo sendo um criminoso, ali mostra a perda de uma vida, diferentemente de filmes que nós sabemos que estão apenas atuando, vimos ali uma pessoa perdendo a vida, mesmo que uma má pessoa

Fabricio bezerra da guia disse...

Eu não gostei da morte do bandido.Mas a população tá tão paranóica que a gente encara como se isso fosse uma coisa boa

Surtado disse...

O mundo está de cabeça pra baixo ... Grandes bandidos, que governam nosso país passa-se a mão na cabeça e acolhe-se, então vamos querer discutir o que a respeito de criminalidade???

Blogueira disse...

Concordo com o rapaz acima.
E também acho que a mídia fez muito auê em cima do caso,se esquecendo que estamos expostos a violência todos os dias e ninguém toma uma atitude.
http://saudeecompanhia.blogspot.com/

Bianca Mól disse...

Interessante..não tinha visto ainda um posicionamento igual ao seu, mas enfim! Moro no Rio assim como você, e é mais do que evidente que a violência tem deixado as pessoas mega preocupadas...O medo ao extremo de sair de casa, o pânico de andar de ônibus, metrô, sei lá - tudo tem deixado a gente preocupado. Mas não só por uma paranóia besta...mas pela total banalização da vida..Hoje em dia se você é assaltado, qual reação é a certa? Qual é a errada? não dá mais pra julgar e é ISSO que deixa todo mundo temeroso.

É uma pena que tenhamos que viver essa guerra..é barra pesada. Cada um encara da maneira que lhe convém. :)

Beijos e boa semana!
Bia
http://www.politicachique.com.br

Gerlane G. Oliveira disse...

Não sou a favor da morte do bandido, e nem de espécie de violência alguma; entretanto, uma coisa é de se estranhar: ninguém sai na mídia para lamentar a morte de um policial que arrisca sua própria vida em defesa do cidadão - não o que se diz policial, que é corrupto, mas o policial de verdade, que honra sua farda e seu juramento.
Outra coisa é que havia o risco de morte da refém juntamente com os policiais que estavam negociando, e porventura, pessoas que estavam nas imediações, e é somente nessas situações extremas que um atirador de elite entra em cena.
O fato bastante discutido também é o de que o meliante citado nesta reportagem era mais uma vítima do sistema, dos desrespeitos aos direitos dos cidadãos, como tantos outros; mas fica a pergunta: Diária e constantemente nós também somos desrespeitados, temos nossos direitos violados, somos enganados, e nem por isso saímos por aí roubando ou tentando matar nossos semelhantes, e o que dizer, então, daqueles que vivem em situações extremas de pobreza, que não tem sequer o alimento básico ou onde morar, e que apesar das dificuldades enfrentadas, procuram uma outra alternativa para suas vidas que não seja o do mundo do crime? E o mais antagônico ainda: E aqueles que apesar de todos os recursos disponíveis, se enveredam por caminhos tortuosos?